sexta-feira, abril 22, 2011

Terry Kath, um guitar hero não reconhecido

Quando hoje entre amigos falamos ou por alguma razão lembramos da banda Chicago, o que inclusive é pouco comum, cometemos um grave erro por somente lembrarmos que foi a banda que revelou o vocalista Peter Cetera ou então por ser aquela banda das baladinhas If you leave me now (anos 70) ou Hard to say I'm sorry (anos 80), entre outras..
Na verdade o Chicago, ou originalmente, o Chicago Transit Authority, foi muito mais que isso, trata-se de um combo muito interessante, com um naipe de metal fora de série, digo, o saxofonista e flautista Walter Parazaider, o trombonista James Pankow e o trompetista Lee Loughnane, além do baterista Danny Seraphine, e com 03 vocalistas totalmente distintos: o tecladista Robert Lamm, o baixista Peter Cetera e o guitarrista Terry Alan Kath, ou simplesmente, Terry Kath (B 31'Jan46 D.23'Jan78).

Kath foi um dos fundadores do grupo em 1967 ao lado da turma acima, e toda a impressão equivocada que tínhamos deles foi por água baixo quando fizemos a audição do 1o. album, o homônimo, Chicago Transit Authority, lançado em Abril de 1969. Nesse petardo todas as doses são equivalentes, digo, a voz já destacada ou de fácil assimilação do jovem Peter Cetera, que também faz um trabalho nas 04 cordas excelente, o teclado e a voz já firme (com postura) de Robert Lamm, a trinca de metais soberba, preenchendo o espaço sem excesso, e o peso, distorção, alanvancadas, sujeira, selvageria, efeitos, pegada rocker, solos infinitos, de Terry Kath, além do seu muito bom e requisitado timbre de voz soul. Diz a lenda que em um show da banda, no Whisky a Go-Go em Los Angeles, 1968, quando abriam para Jimi Hendrix, Parazaider escutou de Hendrix: Esse guitarrista é melhor que eu!! 
A nossa percepção é que com o passar dos anos, pós este 1o. registro, é que num todo a banda tende para o lado comercial, não digo um pop descarado, mas as canções não trazem mais uma elaboração tão grande como antes, a parte de sopro parece estar mais presente, e com isso perde força a guitarra de Kath, apesar de ainda encontrarmos músicas onde ele prevalece. 
Lamentavelmente, acidentalmente, Kath dá fim a própria vida brincando  de roleta russa com uma pistola semi-automática onde acreditava estar descarregada, isso prestes a completar 32 anos.

Não deixem de escutar faixas como: It better end soon, Liberation, Free form guitar, Listen, Poem 58, 25 or 6 to 4, Takin'It On Uptown, entre muitas outras e vejam o que ele já fazia ou aprontava no final dos anos 60 e começo dos 70. 


Será que algum dia esse excepcional e subestimado músico terá o reconhecimento não só dos fans, mas também da mídia ?
Detalhes do Cameleone: Participam em 28 de Fevereiro de 1970 do Festival da Ilha de Wight, e segundo o site Wikipedia, o set list da banda incluiu as músicas "25 or 6 to 4," "Beginnings" e "I'm a Man",  sendo a performance deles o que houve de mais relevante (destacada) na noite; Em 1996, a banda lança uma espécie de tributo ao seu guitarrista original, o album Chicago Presents The Innovative Guitar of Terry Kath, mas cá entre nós, muita coisa boa ficou de fora; Terry Kath era tão habilidoso que conseguia ser guitarra solo e rítmica, simultaneamente; ele era um músico autodidata, como dizemos no popular, aprendeu a tocar de ouvido. 

quarta-feira, abril 20, 2011

Top 10, ou melhor, Top 12 Guitarristas

Jimi Hendrix (Nascido Johnny Allen Hendrix, posteriormente James Marshall Hendrix - B.27'Nov 42 D.18'sep 70)

Apesar da meteórica carreira deixou trabalhos fundamentais através do seu Experience e da Band of Gypsys, fora a participação nos principais concertos entre 67 e 70 com performances históricas (Monterey International Pop Festival, Atlanta Pop Festival, Woodstock e Isle of Wight Festival).





Eric “Slowhand” Clapton (Nascido Eric Clapp - B.30'Mar45)

O  que dizer de um musico que passou por Yardbirds, Bluesbreakers, Cream, Blind Faith e ainda montou o Derek and the Dominos, tudo isso com 25, 26 anos de idade!?








Jimmy Page (Nascido James Patrick - B.09'Jan44)

De conceituado guitarrista de estudio, a guitarrista dos Yardbirds (1966 a 1968), depois por 12 anos guitarrista e lider de uma das mais influentes bandas de rock pesado: Led Zeppelin. 
  







Jeff Beck (Nascido Geoffrey Arnold Beck - B.24'Jun44)

Dizem ser genioso, mas genial mesmo é o som que este executa há quase meio século desde os primórdios tempos de Yardbirds, passando pelo Jeff Beck Group, Beck Bogert and Appice, etc.



Robin Trower (Nascido Robin Leonard Trower - B.09'Mar45) 

Nos tempos do lendário Procol Harum limitavam seu enorme talento para não ofuscar o teclado e a voz do lider da banda Gary Brooker, por isso seguiu carreira solo de sucesso de 1971 ate os dias atuais. Há alguns anos retomou antiga parceria com Jack Bruce, lancando CD e DVD.



Leslie West (Nascido Leslie Weinstein - B.22'Oct45)  

Pesado no duplo sentido, este vocalista, e principalmente, guitarrista da rock band Mountain, criador do riff inconfundivel da clássica Mississipi Queen, segurou a barra ao lado do batera Corky Laing após o assassinato de Felix Pappalardi, antigo parceiro de Mountain. Mantém ate hoje  a banda na ativa ao lado de Laing. Tocaram  nos 40 anos de Woodstock em 2009.




Alvin Lee (Nascido Graham Barnes - B.19'Dec44)

Velocista das 06 cordas, explodiu em Woodstock 1969, esteve também no Festival da Ilha de Wight em 70, mas já fazia história anos antes com a explosão do blues ingles com o seu Ten Years After. Com a escolha deste músico, nossa intenção é também homenagear outros guitarristas que explodiram no mesmo movimento/período, tais como: Kim Simmonds (Savoy Brown Blues Band), Stan Webb (Chicken Shack), Peter Green (Fleetwood Mac), Dave 'Clem' Clempson (Bakerloo), entre outros..

  
Duane Allman (Nascido Howard Duane Allman - B.20'Nov 46 D.29'Oct 71)

Fera do slide, da mesma forma que deixou uma legião de fans órfãos quando subiu para o andar de cima, deixou um punhado de  música de qualidade gravando ao lado do irmão Greg, na banda dos dois, The Allman Brothers Band. Durante 02 anos e meio, fez inesquecível duo de guitarras com Dickey Betts. Teve tempo ainda para participar, com destaque, na Derek and the Dominos, ao lado de Eric Clapton. Dentre várias canções que poderíamos citar ou sugerir, ouçam Little Martha, acústica, curta, porém que tem muito a dizer, gravada em Outubro de 1971, semanas antes de sua morte.


Johnny Winter (Nascido John Dawson Winter III - B.23'Feb44) 

Albino, vesgo, drogado, magrelo, tatuado ou simplesmente.. a lenda viva do blues Texano do final dos anos 60! Levou o público de Woodstock ao delírio. “Adotou” seu ídolo Muddy Waters nos anos 70, saindo em tours em conjunto. Debilitado fisicamente, toca até hoje, mantendo ainda a mesma pegada do passado. Veio ao Brasil em Maio de 2010.




Tony Iommi (Nascido Francis Anthony Melby - B.19'Feb48)

Canhoto, nem a perda da ponta de 02 dedos da mão direita o impediu de seguir com o seu objetivo. Fez rápida aparição no Jethro Tull em 1968 e consagrou-se no Black Sabbath com seus riffs pesados, letras falando de ocultismo, capas de album assustadoras, acordes sombrios, etc. Sua inconfundível guitarra preta traz entre os trates a imagem de um crucifixo.



Michael Schenker (Nascido Michael Willy Schenker - B.10'Jan55)

Sua 1a. aparição em LP se deu na banda alemã Scorpions ao lado do irmão Rudolf, tinha somente 17 anos. Porém se consagrou na banda inglesa UFO, onde ingressou em 1973, após convite de Phil Moog e Pete Way. Nessa época, com a sua Flying V em punho, elevou a banda ao status de uma das principais bandas de hard rock dos anos 70. Foram 04 registros de estúdio, culminando no estupendo live Strangers in the Night, lançado em 1978. Deixou a banda nos final dos anos 70, retornou aos Scorpions onde participou de mais um album e seguiu vitoriosa carreira solo nos anos 80 com a sua MSG.

Rory Gallagher (Nascido William Rory Gallagher - B.02'Mar48 D.14Jun95)

Quando o assunto é blues-rock, é inegável, de imediato lembrarmos desse irlandês, com seu jeans desbotado e de camisa quadriculada vermelha. Depois de dissolver o trio Taste, banda que havia montado em meados dos anos 60, tendo aberto para bandas como Cream e Blind Faith e participado do Festival da Ilha de Wight em 70, Gallagher não imaginaria que sua carreira estaria por decolar no início dos anos 70. Para se ter uma idéia ele é um dos recorditas (se não o maior) de participações no conceituado Montreux Jazz Festival, 05 vezes, em um período de 20 anos. Ele também dominava outros instrumentos como bandolim, saxofone e harmônica.  

Lista + lista = Listas


Depois de algumas postagens é chegada a hora de publicarmos as nossas preferências, ou melhor, chegou a hora das famosas listas ou seriam polêmicas listas? rsrs.. Na verdade, as listas que seguirão tratam-se de uma relação dos 10 melhores, sejam guitarristas, baixistas, bateristas, vocalistas, tecladistas, álbuns clássicos, bandas de hard ou prog que ficaram no anonimato, músicos subestimados, etc.. Como critério nos baseamos no que de melhor surgiu nos últimos 50 anos (desde 1961), sem ordem de preferência. A relação trará também um breve perfil do escolhido.

Para começo de conversa, começaremos pelos guitarristas, aliás, o dúvida cruel, ainda mais pelo formato que escolhemos, digo, apenas 10 guitarristas em um universo tão extenso de excelentes instrumentistas.. faremos o seguinte, excepcionalmente serão 12 os homenageados, ok.
A propósito, quando primeiramente pensamos em abordar esse tema, seria apenas um Top 5, mas graças ao nosso próprio bom senso, admitimos que seria complicadíssimo uma relação tão enxuta, visto que estamos pensando em Rock'n'Roll e as suas principais vertentes. Sendo assim, não façam mau juízo nosso, a relação a seguir trata-se apenas da nossa opiniao, opinião de fã. Divirtam-se!


segunda-feira, abril 11, 2011

Paul Chapman.. pé quente!

UFO: Phil Moog, Pete Way, Paul Chapman, Andy Parker e Michael Schenker

A escolha do timbre ideal, o encaixe do acorde perfeito, o peso na medida exata, os riffs, distorções e fraseados precisos, tudo isso misturado a um pouco de sorte, fizeram do guitarrista Paul 'Tonka' Chapman (09 Jun'54), um sucessor no UFO a altura do fenomenal alemão Michael Schenker, isso há pouco mais de 30 anos.

Essa história hoje contada, faz Chapman, o respeitado músico, rir, porém na época causou um grande frio em sua barriga, pois o grupo vinha de uma sequência de grandes lançamentos que o fizeram largar o rótulo de space rock band para se tornarem um dos ícones do hard rock, e eles, lógico, não gostariam de perder esse status tão cedo.

Destino ou não, Chapman já havia tido uma experiência com a banda de Phil Moog e Pete Way, entre meados de 1974 até o começo de 75, como guitarra base para os longos e pesados solos de Schenker, na época não deixou material gravado, entretanto participou da extensa tour e promoção do clássico album Phenomenon, lançado em Maio de 74. Deixou a banda por divergências musicais. 

Em sua 2a. passagem, 1978, o foco de nossa matéria, Chapman retorna novamente como guitarra rítmica, participa do album ao vivo Strangers in the Night, tem seu nome creditado no registro, e é surpreendido com o anuncio oficial da banda para assumir a lead guitar após a desistência de Schenker, que no auge do sucesso retorna ao seu berço, ao lado do irmão Rudolf e cia, aos Scorpions.  

Seu primeiro grande teste chama-se No Place to Run, album lançado em 1980, que reúne material inédito gravado em estúdio e que nos apresenta um arsenal de classic hits, tais como a faixa título que dá nome ao album, e ainda as porradas Gone in The Night, Mystery Train, Young Blood, Lettin' Go, entre outras (muitas dessas inclusive você encontra aqui na Cameleone Radio 1). Como prova da manutenção do status dos tempos de Schenker, basta dar uma conferida no vídeo deles em Dortmund, Alemanha, 1980, onde a banda se apresenta no consagrado programa de TV alemã RockPalast. Fragmentos deste concerto podem ser encontrados no You Tube, conforme o vídeo abaixo. Este show também traz uma outra mudança com a entrada de Neil Carter, nos teclados e guitarra, no lugar de Paul Raymond.

 
Depois seguem The Wild, The Willing and The Innocent (1981); Mechanix (1982) e por último Making Contact (1983), todos em estúdio, e que se não foram tão brilhantes como o NPTR, apresentaram faixas indispensáveis até hoje lembradas pelos fans, desde os mais antigos e radicais aos mais jovens. Não deixem de ouvir: Chains Chains, Long Gone, as baladas Profession of Violence (principalmente o solo desta) e Terri, Makin' Moves, The Writer, Back into my Life, Diesel in the Dust, When It's Time to Rock, etc..
Curiosidade do Cameleone: Chapman, ainda adolescente, fez parte da banda Skid Row, em 1971, em substituição ao irlandês Gary Moore.

domingo, abril 10, 2011

John Mayall e o seu faro para novos talentos

Já não bastasse ser considerado um dos pais do blues inglês, ao lado de Cyrill Davies e Alexis Korner, o veterano bluesman john Mayall (29 Nov'33), tem também uma nobre virtude reconhecida: Ter sido um grande descobridor de jovens músicos na fértil década de 60, pois através dos seus Bluesbreakers, lançou uma infinidade de promissores instrumentistas que viriam a ter carreira sólida em diversas bandas nos anos 70.
Vejamos a importância de Mayall neste processo:


- Eric Clapton, que apesar de não ser "cria" de Mayall, pois já havia despontado nos Yardbirds anos antes, teve uma baita visibilidade tocando 01 ano ao seu lado. Depois do clássico álbum "John Mayall with Eric Clapton", lançado em 1966, Clapton trocou a banda de Mayall pela construção da sua própria, o mais conhecido power trio do Rock/Blues, o Cream;



- Jack Bruce, o baixistas dos baixistas, também teve uma breve experiência como  bluesbreaker, e apesar de não estar presente em nenhum álbum da época, é possível localizá-lo em ação com Mayall através da coletânea Primal Solos, numa gravação ao vivo em 1965, no Flamingo Club, em Londres, ao lado de Clapton;




- 3/4 do Fleetwood Mac (Peter Green, John McVie e Mick Fleetwood), aconteceu na banda de Mayall, isso por volta de 66-67, mas não chegariam, os três juntos, a ter um registro oficial lançado na época, entretando, coletâneas lançadas décadas depois revelariam gravações do período, com esta formação;




- Mick Taylor, foi o sucessor de Peter Green, chegou ainda adolescente aos Bluesbreakers com 17 anos, em 1967, fez excelentes trabalhos, mas acabou saindo em 1969, após convite irrecusável da dupla Mick Jagger e keith Richards para intergrar os Rolling Stones, na época desfalcado de Brian jones que havia morrido misteriosamente, supostamente afogado após mais uma noitada regada a bebidas e drogas. Detalhe: o show de estréia do garoto fui o famoso concerto dos Stones no Hyde Park, em 1969, abrindo para o King Crimson de Robert Fripp, Greg Lake (futuro ELP) e cia;


- Aynsley Dunbar (Aynsley Dunbar Retaliation), Keef Hartley (Keef Hartley Band), Dick Heckstall-Smith, Tony Reeves e Jon Hiseman (Colosseum), Andy Fraser (Free), Colin Allen (Focus, Stone the Crows), Larry Taylor e Harvey Mandel (Canned Heat), foram alguns dos músicos que ora formaram sua própria banda no final da década de 60, ora foram membros de importantes bandas fusion, prog, blues da década seguinte.